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sábado, 27 de agosto de 2022

Os Filtros dos sonhos

Os Filtros dos sonhos


os primeiros filtros dos sonhos surgiram na tribo dos Ojibwa, que habitavam a região 
dos grandes lagos da América do Norte. Os membros desta tribo acreditavam que uma 
das principais missões das pessoas durante a vida era a de decifrar os sonhos, pois 
acreditavam que traziam importantes mensagens sobre o funcionamento da natureza, 
do universo e da vida.
 O filtro dos sonhos, também conhecido como apanhador de sonhos, é um amuleto da
cultura indígena norte americana, criado pela tribo Ojibwe. Esse amuleto vem 
ganhando muita popularidade, principalmente com tantas fotos de filtro de sonhos que
podemos encontrar para nos inspirar.

Esse item pode ser usado tanto na decoração de casa, quarto infantil e de casal, 
quanto em festas, mas você sabe o que é filtro dos sonhos? Ou mesmo sabe qual 
significado do filtro dos sonhos? Pois bem, confira esse post até o final para saber tudo 
sobre esse elemento e veja algumas fotos e dicas de como fazer filtro dos sonhos.

O filtro dos sonhos original é feito com vara de salgueiro-chorão se transformando 
na parte do aro e as penas são de aves. Para a tribo Ojibwe as penas de águia significa 
coragem, já pena de coruja significa sabedoria, mas além disso, outros itens também 
eram pendurados, como pequenas pedrinhas.Para quem quer utilizar o filtro dos sonhos 
na decoração é importante lembrar que eles devem ficar posicionados em um local que 
receba luz solar, pois assim, quando o sol bater no filtro dos sonhos, ele é purificado e 
as energias e sonhos ruins são afastados.

O filtro dos sonhos podem ser usados em diversos estilos de decoração, mas para isso
é importante escolher um modelo que se harmonize com o restante da decoração do 
ambiente. Em um ambiente mais alegre e descontraído, o filtro dos sonhos coloridos 
é uma ideia bem interessante, já para um ambiente mais clean e com decoração 
minimalista, o filtro dos sonhos preto ou branco pode dar o toque final que o ambiente 
precisa.









Você sabia que cada parte do filtro dos sonhos possui um 
significado? Pois é, confira a seguir para entender melhor.

O círculo do filtro dos sonhos representa a eternidade, 
o círculo da vida e o sol; O centro do filtro dos sonhos 
representa o nosso interior teia representa o caminho, 
nossa alma e o livre arbítrio; às penas representam o ar, 
sabedoria e coragem; às pedrinhas representam a cura e 
eliminam nossos medos e tristezas; às cores do filtro 
dos sonhos transmitem sensações e 

FOTOS VIVA DECORA .COM


domingo, 19 de agosto de 2012

Os nove filhos de Iansã

Os nove filhos de Iansã 


O nome Iansã, como dito acima, significa "mãe de nove" (com Ogum, Oxóssi ou Xangô, dependendo da versão) e uma versão do mito conta que oito nasceram mudos e o último, Egun, graças aos sacrificios recomendados por Ifá, nasceu com o poder de falar com voz estranha e sobrenatural. Algumas tradições especificam os nomes dos nove filhos que, segundo uma delas, seriam:
Imalegã

- nasceu no primeiro dia. Foi tirado do ventre de Oiá pelas Iyami e envolvido em abanos;
Iorugã - foi envolvido em palha seca e alimentado com talos de bananeira. Nasceu com a vaidade de Oiá e é o preferido.
Akugã - nasceu do terceiro dia da tempestade e foi criado nas touceiras de bambu. É rebelde. Não se deve tocar o chão do bambuzal.
Urugã - alimenta-se das folhas das bananeiras e esconde-se nas florestas. Faz buracos.
Omorugã - alimenta-se do pó do bambu que está caído no chão. Vive no milharal e fica escondido nos bambuzais observando os seres humanos.
Demó - Oiá cobriu-o de lama para saber os segredos de seus inimigos. Usa pele de búfalo para acompanhar Oxóssi.
Reigá - Acompanha os mortos e ronda os cemitérios. Esconde-se nas grandes árvores dos cemitérios e ronda as sepulturas à procura de objetos perdidos ou esquecidos pelas pessoas.
Heigá - É violento e vive perseguindo o Ori do ser humano. Propicia desastres e desordens;
Egungun - Oiá preparou-o para combater. Apossa-se do ser humano, fazendo-o cometer desatinos.

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terça-feira, 24 de julho de 2012

Oxotokanxoxô "Caçador de uma flecha só"

Olofin era um rei africano da terra de Ifé,lugar de origem de todos os iorubas.
Cada ano,na época da colheita,Olofin comemorava,em seu reino,a Festa dos Inhames.
Ninguém no país podia comer dos novos inhames antes da festa.
Chegado o dia,o rei instalava-se no pátio do seu palácio.
Suas mulheres sentavam-se à sua direita,
seus ministros sentavam-se à sua esquerda,
seus escravos sentavam-se atrás dele,agitando leques e espanta-moscas,
e os tambores soavam para saudá-lo.
As pessoas reunidas comiam inhame pilado e bebiam vinho de palma.
Elas comemoravam e brincavam.
De repente,um enorme pássaro voou sobre a festa.
O pássaro voava à direita e voava à esquerda...
Até que veio pousar sobre o teto do palácio.
A estranha ave fora enviada pelas feiticeiras,
furiosas porque não foram também convidadas para a festa.
O pássaro causava espanto a todos!
Era tão grande que o rei pensou ser uma nuvem cobrindo a cidade.
Sua asa direita cobria o lado esquerdo do palácio,
sua asa esquerda cobria o lado direito do palácio,
as penas do seu rabo varriam o quintal e sua cabeça,o portal da entrada.
As pessoas assustadas comentavam:
"Ah! Que esquisita surpresa?"
"Eh! De onde veio este desmancha-prazer?"
"Ih! O que veio fazer aqui?"
"Oh! Bicho feio de dar dó!"
"Uh! Sinistro que nem urubu!"
"Como nos livraremos dele?"
"Vamos,rápido,chamar os caçadores mais hábeis do reino."
De Idô,trouxeram Oxotogun,o "Caçador das vinte flechas".
O rei lhe ordenou matar o pássaro com suas vinte flechas.
Oxotogun afirmou:
"Que me cortem a cabeça se eu não o matar!"
E lançou suas vinte flechas,mas nenhuma atingiu o enorme pássaro.
O rei mandou prendê-lo.
De Morê,chegou Oxotogi,o "Caçador das quarenta flechas".
O rei lhe ordenou matar o pássaro com com suas quarenta flechas.
"Oxotogi afirmou:
"Que me condenem à morte,se eu não o matar!"
E lançou suas quarenta flechas,mas nenhuma atingiu o pássaro.
O rei mandou prendê-lo.
De Ilarê,apresentou-se Oxotadotá,o "Caçador das cinqüenta flechas".
Oxodotá afirmou:
"Que exterminem toda a minha família,se eu não o matar".
Lançou suas cinqüenta flechas e nenhuma atingiu o pássaro.
O rei mandou prendê-lo.
De Iremã,chegou,finalmente,Oxotokanxoxô,o "Caçador de uma flecha só".
O rei lhe ordenou matar o pássaro com sua única flecha.
Oxotokanxoxô afirmou:
"Que me cortem a cabeça em pedaços se eu não o matar!"

Ouvindo isto,a mãe de Oxotokanxoxô,que não tinha outros filhos,
foi rápido consultar um babalaô,o adivinho,
e saber o que fazer para ajudar seu único filho.
"Ah! disse-lhe o babalaô".
"Seu filho está a um passo sa morte ou da riqueza.
Faça uma oferenda e a morte tornar-se-á riqueza".
E ensinou-lhe como fazer uma oferenda que agradasse as feiticeiras.
A mãe sacrificou,então,uma galinha,abrindo-lhe o peito,
e foi rápido colocar na estrada,gritando três vezes:
"Que o peito do pássaro aceite este presente!"
foi no momento exato que Oxotokanxoxô atirava sua única flecha.
O feitiço pronunciado pela mãe do caçador chegou ao grande pássaro.
Ele quis receber a oferenda e relaxou o encanto que o protegera até então.
A flecha de Oxotokanxoxô o atingiu em pleno peito.
O pássaro caiu pesadamente,se debateu e morreu.
A notícia espalhou-se:
"Foi Oxotokanxoxô,o "Caçador de uma flecha só",que matou o pássaro!
O rei lhe fez uma promessa,se ele o conseguisse!
Ele ganhará a metade da sua fortuna!
Todas as riquezas do reino serão divididas ao meio,
e uma metade será dada a Oxotokanxoxô!!"
Os três caçadores foram soltos da prisão e,como recompensa,
Oxotogun,o "Caçador das vinte flechas",
ofereceu a Oxotokanxoxô vinte sacos de búzios;
Oxotogi,o "Caçador das quarenta flechas",ofereceu-lhe quarenta sacos;
Oxotadotá,o "Caçador das cinqüenta flechas",ofereceu-lhe cinqüenta.
E todos cantaram para Oxotokanxoxô.
O babalaô,também,juntou-se a eles,cantando e batendo em seu agogô:

"Oxowusi! Oxowusi!! Oxowusi!!! "O caçador Oxó é popular!"

E assim é que Oxotokanxoxô foi chamado Oxossi.
Oxowusi! Oxowusi!! Oxowusi!!!

o caçador de uma flecha só

Oxóssi - o caçador de uma flecha só.

Quando visualizamos a imagem de um caçador, vemos um homem forte, com seus músculos definidos, com um arco e flecha na mão.
Não é qualquer um capaz de adentrar às matas sem antes ter o conhecimento para onde ir e o que trazer.
Caçar não é simplesmente matar por matar; é conhecer, saber o ponto exato para derrubar a sua caça, é ser conhecedor dos pontos vitais. Este orixá retrata e busca o conhecimento. O conhecimento universal.
As matas fechadas são tão conhecidas como as palmas de suas mãos. Sabe entrar e sair. Sua flechada é certeira e por se apresentar com apenas uma junto com seu arco, não desperdiça energia em tentativas. Simplesmente firma o alvo e segue até o fim.
Respeita a natureza, pois é nela que tira o sustento, por isso não mata por puro prazer. Ele é prático e ágil. Moacyr Franco em uma música expressou muito bem este orixá.
Era alta madrugada e já cansado da jornada um homem voltava pro seu lar, quando apareceu no escuro, o encostando contra o muro, um ladrão prá o assaltar. Com o revólver no pescoço, ainda ele explicou pro moço que tinha filho prá criar, era arrimo de família, que ele levasse tudo, o humilhasse mas não o quisesse matar.
Mas o homem sem piedade, um escravo da maldade, começou a maltratar e prá ver se ele tinha medo, antes de puxar o dedo, ele o mandou rezar.
O trabalhador que nunca tinha rezado e se considerava um só pecado, implorou por salvação elevando seu pensamento, descobrindo naquele momento, o que é ter religião.
Um clarão apareceu, sua vista escureceu, e o bandido desmaiou. Morreu não teve jeito, com uma flecha no peito, sem saber quem atirou. Naquela hora o trabalhador gritava, berrava, chorava e acreditava, que o milagre tinha acontecido e de joelho na calçada, perguntou com voz cansada, quem será que o tinha atendido.
Já estava amanhecendo, a alegria o aquecendo, quando entrou na catedral e cada santo que ele via, de novo agradecia, e jurava ser leal.
- Veja o santo de passagem, não me toque nas imagens, o avisou o sacristão, pois lá ninguém explicava, uma flecha que faltava... na imagem de São Sebastião.

Okê Arô.
COLHI ESTA HISTORIA MUITO BONITA DE UM BLOG POR CONHECER ESTA MUSICA MAS NADA A VER COM ODÉ A NÃO SER O SINCRETISMO => http://www.ermitao.com

As Senhoras dos Pássaros da Noite







As Senhoras dos Pássaros da Noite

Iyá-Mi Osorongá é a síntese do poder feminino, claramente manifestado na possibilidade de gerar filhos e, numa noção mais ampla, de povoar o mundo. Quando os Iorubas dizem “nossas mães queridas” para se referirem às Iyá Mi, tentam, na verdade, apaziguar os poderes terríveis dessa entidade.
Donas de um axé tão poderoso como o de qualquer Orixá, as Iyá-Mi tiveram o seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas do famoso festival Gèlèdè, na Nigéria, realizado entre os meses de Março e Maio, que antecedem o início das chuvas do país, remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade.
As iyá-Mi tornaram-se conhecidas como as senhoras dos pássaros e a sua fama de grandes feiticeiras associou-as à escuridão da noite; por isso também são chamadas Eleyé, e as corujas são os seus principais símbolos.
A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino, que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza, ou seja, dos acontecimentos que fogem à explicação e ao controle humano. Toda a mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Iyá-Mi; a capacidade de gerar filhos, expressa nos órgãos genitais femininos, assustou sempre os homens.
As mães são compreendidas como a origem da humanidade e o seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e, quando ele nascer, ainda decide se ele deve viver.
Iyá-Mi é a sacralização da figura materna, por isso o seu culto é envolvido por tantos tabus. O seu grande poder deve-se ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo o que é redondo remete ao ventre e, por consequência, às Iyá-Mi. O poder das grandes mães é expresso entre os orixás por Oxum, Iemanjá e Nanã Buruku, mas o poder de Iyá-Mi é manifesto em toda a mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu.
As denominações de Iyá-Mi expressam as suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão os seus nomes nunca devem ser pronunciados; mas quando se disser um dos seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das Grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.
As feiticeiras mais temidas entre os Iorubas e no Candomblé são as Àjé e, para se referir a elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro.
O aspecto mais aterrador das Iyá-Mi e o seu principal nome, com o qual se tornou conhecida nos terreiros, é Osorongá, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro do mesmo nome e rompe a escuridão da noite com o seu grito assustador.
As Iyá-Mi são as senhoras da vida, mas o corolário fundamental da vida é a morte. Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas no seu aspecto benfazejo, são o grande ventre que povoa o mundo. Não podem, porém, ser esquecidas; nesse caso lançam todo o tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte.
O lado bom de Iyá-Mi é expresso em divindades de grande fundamento, como Apaoká, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Oxóssi. As Iyá-Mi, juntamente com Exú e os ancestrais, são evocadas nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que, entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem a vida, integrarão o corpo das Iyá-Mi, que são, na verdade, as mulheres ancestrais.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

LENDAS AFRO - A LENDA DE OXALÁ E EXÚ


Oxalufã (Oxalá velho) era um rei muito idoso que andava com dificuldade, Sempre apoiado em seu cajado, chamado de opaxorô. um dia, sentindo saudades do filho Xangô, resolveu ir até Oiô visitá-lo. Como era costume na terra dos Orixás, consultou um Babalaô para saber como seria a viagem. Este recomendou que não viajasse. Mas, como o Orixá teimasse em ver o filho, foi instruído a levar três roupas brancas e limo da costa ( pasta extraída do caroço de dendê ) e fazer tudo o que lhe pedissem.



Com essas precauções, o Orixá partiu e, no meio do caminho, encontrou Exu Elepô, dono do azeite-de-dendê, sentado a beira da estrada, com um pote ao lado. Com boas maneiras, ele pediu a Oxalufã que o ajudasse a colocar o pote nos ombros. O velho orixá, lembrando as palavras do Babalaô, resolveu auxiliá-lo; mas Exu Elepô, que adora brincar. Derramou todo o dendê sobre Oxalufã.



O orixá manteve a calma, limpou-se no rio com um pouco do limo, vestiu outra roupa e seguiu viagem. Mais adiante encontrou Exu Onidu, dono do carvão, e Exu Aladi, dono do óleo do caroço de dendê. Por duas vezes mais foi vitima dos brincalhões e procedeu como da primeira vez, limpando-se e vestindo roupas limpas, continuando sua caminhada rumo ao reino de xangô.



Ao se aproximar das terras do filho, avistou um cavalo que conhecia muito bem, pois presenteara Xangô com o animal tempos atrás. Resolveu amarrá-lo para levá-lo de volta, mas foi mal interpretado pelos soldados, que julgaram-no um ladrão. Sem permitir explicações, eles espancaram o velho ate quebrar seus ossos e o arrastaram para a prisão. Usando seus poderes, Oxalá fez com que não chovesse mais desse dia em diante; as colheitas foram prejudicadas e as mulheres ficaram estéreis.



Preocupado com isso, Xangô consultou seu Babalaô e este afirmou que os problemas se relacionavam a uma injustiça cometida sete anos antes, pois um dos presos fora acusado de roubo injustamente. O Orixá dirigiu-se a prisão e reconheceu o pai. Envergonhado, ordenou que trouxessem água para limpá-lo e, a partir desse dia, exigiu que todos no reino se vestissem de branco em sinal de respeito ao pai, como forma de reparar a ofensa cometida. é por isso que em todos os terreiros do Brasil comemora-se as águas de Oxalá, cerimônia na qual todos os participantes vestem-se de branco e limpam seus apetrechos com profunda humildade para atrair a boa sorte para o ano todo.



Oxalá era marido de Nanã, senhora do portal da vida e da morte. E por determinação dela, somente os seres femininos tinham acesso ao portal, não permitindo aproximação de seres masculinos em hipótese alguma. Determinação que servia também para Oxalá, que com o passar do tempo não se conformava com esta decisão, não só por ser marido de Nanã, como por sua própria importância no panteão dos orixás. Assim pensou até que encontrou uma forma de burlar as determinações de sua esposa. Não fugindo de sua cor branca, vestiu-se de mulher, colocou o adê (coroa) com os chorões no rosto, próprio das iabás e aproximou-se no portal satisfazendo enfim sua curiosidade. Foi pego, porém, por Nanã no exato momento em que via o outro lado da dimensão. Nanã aproximou-se e determinou: - "Já que tu, meu marido, vestiste-te de mulher para desvendar um segredo tão importante, vou compartilhá-lo contigo. Terás, então, a incumbência de ser o princípio do fim, aquele que tocará o cajado três vezes ao solo para determinar o fim de um ser. Porém, jamais conseguirás te desfazer das vestes femininas e, daqui para frente terás todas as oferendas fêmeas!" E Oxalá passou a comer não mais como os demais santos aborós (homens), mas sim cabras e galinhas como as iabás. E jamais se desfez das vestes de mulher. Em compensação, transformou-se no senhor do princípio da morte e conheceu todos os seus segredos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

História da África

História da África




História da África - Cronológica



EXTRAÍDO DOS LIVROS "DICIONÁRIO YORUBÁ-NAGÔ-PORTUGUÊS", "DICIONÁRIO ANTOLÓGICO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA" E "ZUMBI DOS PALMARES, A HISTÓRIA DO BRASIL QUE NÃO FOI CONTADA" DE EDUARDO FONSECA JÚNIOR.

DATA

HISTÓRIA

5000 à 4000 a.C.

Os negros ocupavam a África, até então habitada pelos prováveis ancestrais dos atuais pigmeus. Encontramos, na Núbia, relevos rupestres.

3000 à 2000 a.C. Invasão egípcia à Núbia. Exploração das minas na Núbia. Exploração da

baixa Núbia pelos governadores de Elefantina. Pepi I faz esculpir na Núbia os obeliscos para Heliópolis.
2000 à 1800 a.C. Entrada de ODÙDÚWA na África Negra. Pacto entre Jeovah e Abraão. Pacto entre OLODUMARÉ e Nimrod (Oduduwá). Início de dinastia Yorubana.

1558 à 1400 a.C. Fundação de ILÊ-IFÊ e OYÓ. Aparecimento de OKANBI, ORANIAM, AJAKA E XANGÔ. Expansão egípcia até o Sudão. Criação no Sudão do Culto à DEUSA SERPENTE. Dados históricos de um chefe branco (Oduduwá), comandando um exército de negros. Fundação da província de KUS. Advento de Amenofis I. Introdução do cavalo no Egito pelos Hycsos. Reina Tutmes I. Reino da Rainha Hatashepsut (corresponde à 18ª dinastia).

Séc. XIV/XVIII

Fundação do Templo de Amon em Soleb. Reina Amenofis IV no Egito em 1372 a.C.

1354 à 1346 a.C.

Reina Tutankamon. Restabelecimento do culto a AMON.

Séc. XIII/XII

Êxodo dos judeus do Egito.

1301 à 1235 a.C.

Introdução de estranho metal (aço) no Egito.

Séc. VII/VI até IV

Aparecimento da civilização NOK. Artesanato em terracota, que persistirá até o primeiro século a.C.

605 à a.C.

Rei Necau II é derrotado por Nabucodonosor.

505 a.C.

Egito é conquistado pelos Persas.

Séc. II/II/I

Divisão das artes helênicas.

332 a.C.

Conquista do Egito por Alexandre, o Grande.

143 a.C.

Destruição de Cartago pelos romanos.

Anno Uno ou -5

Nascimento de Jesus Cristo em Belém, Judéia.(consoante ao Calendário Gregoriano -5 anos na Era Cristã)

Até o Séc. IV

Fundação da primeira dinastia de Ghana com 44 soberanos. Infiltração do cristianismo na Arábia do Sul. Fundação da Meca, que se transforma em um grande centro comercial.

550

Viagem do legendário monge irlandês São Brandão às ilhas Madeira e Canárias.

660

Primeira exploração das minas de ouro no alto Senegal. Primeiro reinado Nupe. São descobertos os tesouros faraônicos no Egito.

790

Assassinato do príncipe regente de Ghana, que passa o domínio para Kaya Maghan, rei de Uagadu.

890

Os

Djermans impõem seu domínio. Islamização da África Oriental. Introdução

pelos árabes do caurí (búzios), moeda corrente que domina todo o

interior da África. Descoberta das torres e tumbas de pedras, em Angola.

Desabrochar da cultura do bronze na Nigéria. Cultura Ifé imposta em cerâmica,

bronze e quartzo.
990 Princípio da emigração dos

Bantos da África Central para a África Austral. Tomada de Ghana por

Audaghost.
Séc.

XI
Soberano

de Gambaga estende sua influência por todo Alto Volta.
1010 Os

Djermas transladam a capital de Sonrhai para GAO. O soberano dos Djermas

se converte ao Islamismo. O historiador árabe El Bekri faz a primeira

descrição histórica da África, situando a capital de Ghana.
1050 Chefe

da província do Mendes se converte ao islamismo. Primeira monção por El

Bekri do Império de Bornu.
1061 à 1075 Um

chefe almoravita empreende uma guerra a Ghana, que se desmantela.
1083 Uma Embaixada de negros é enviada à China ante o Imperador Cheun-Tsung.
1086 Conversão

do soberano do Bornu ao Islamismo. Na Europa o Papa Gregório VII prepara

sua primeira cruzada. Os árabes iniciam o comércio de porcelanas e

moedas.
Séc.

XII
Formação

dos reinos Mossi na cabeceira do rio Niger. Fundação da primeira cidade

Haussa. Dinastia totalmente muçulmana em Bornu. Construção de Zimbabwé.
Séc.

XIII
Formação

dos reinos de Gongo. Instalação do Império do reino Dagon à margem do

Rio Bandiagara. Assassinato pelo imperador dos Sossos de um príncipe de

Mendes e seus onze filhos; o décimo segundo filho Sundiata, se salva e reúne

um exército restabelecendo a autoridade.
1234 Sundiata

devasta Tinkisso, ataca os Bambara do leste e entra em Dieriba, a capital.
1235 Derrota

do imperador dos Sossos. Durante o reinado de Sundiata, desabrocha a

economia de Mali.
1255

Morre

Sundiata.
1275 Estando

a dinastia de Ifé em seu apogeu os Yorubá dominam Nupe. Formação do

artesanato de bronze de Benin por um artista chegado de Ilê-Ifé. Morte

de São Luiz em Tunis.
1291 Genovês

Vivaldi na costa ocidental da África.
Séc.

XIV

Conversão

dos príncipes Haussas ao Islamismo. Descoberta na África Negra, de máscaras,

adornos e jóias de ouro de dinastias extintas. Reinado de Kan-Kan (Congo)
1324 Kan-Kan

provoca miséria em seu povo, pelos seus gastos excessivos em ouro.
1375 Kan-Kan

se transforma em Imperador dos Mandingas.
Séc.

XV
Os

Messi, os Tuareg e os Sonrhai atacam Mali. Primeira chegada dos

portugueses a Benin, para admirarem o artesanato em bronze.
1442 Nuno

Tristão chega ao país dos Negros.
1446 Pedro

de Sintra chega à Serra Leone. Tomada de Constantinopla. Fim da guerra

dos Cem Anos.
1470 Francisco

Gomes obtém o monopólio do

comércio da Guiné por cinco anos.
1484 João

II rei de Portugal, acreditando que Mali é um poderoso Império, manda

seus embaixadores a Mali. Diogo Cão chega a Angola, descobre o rio Congo.

Aproximação de Portugal com Manicongo e Matamba.
1490 Batismo

do rei do Congo, com o nome João I. Filho do Manicongo é sagrado Bispo

do Congo por Roma.
1492 Bartolomeu

Dias dobra o Cabo da Boa Esperança e os portugueses invadem o Zimbabwé.

Colombo descobre a América.
1498 Francisco

Pizarro invade o Perú, assassina Athaualpa. Começa a destruição da



cultura Inca. Fuga de Ayoascar, irmão de Athaualpa para o Brasil. - Mesmo

período Fernão Cortez destroi a cultura Asteca de Montezuma e Gualtemoc.
1500

aD.
Desabrochar

na atual Ghana, dos impérios de Adansi e Ashantis. Primeira revolta no

Congo contra o Cristianismo rola o sangue negro. Descoberta em Benin a

cabeça da Rainha Mãe. Leonardo

da Vincci interessa-se pelas artes

Orientais. Os portugueses aliam-se a Benin que envia uma embaixada negra a

Lisboa.
1545 aD. Autorização

do tráfico de escravos para as colônias das Américas.
1548 aD. João

III de Portugal envia jesuítas ao Congo. A capital do Congo passa a ser São

Salvador. Bula pontifícia de Paulo II conferindo o título de homens

(seres humanos) aos indígenas dos países recém-descobertos de Portugal.

Caça aos índios no Brasil para a escravidão. Guerras Justas provocam

matança de índios em alta escala para lhes tomar as terras litorâneas

do recém-descoberto Brasil.
1550 aD. Construção

portuguesa na África.
1559 aD. Chegada

dos primeiros escravos negros ao Brasil para o Colégio da Bahia – Padre

Nóbrega, o 1º catequista humano e liberal do Brasil.
1580 aD. Felipe

II de Portugal manda Carmelitas ao Congo. Decadência total do reino de

Congo.
1590 aD. Os

Adansis dominam o grupo Akan-Ashanti. Começo do segundo período de artes

de Benin: placas de bronze nos pilares dos pátios internos dos palácios

de Benin. Publicação na Europa de um elogio a Duarte Lopes, pelas

informações de infra estrutura das tribos no Congo. Tradução de

diversas línguas africanas por De Bry.
Séc.

XVII
Fundação

do Reino Bambara em Karta. Cartógrafos franceses em viagem de

reconhecimento da África. Apogeu do rei dos Bakuba. Protesto e dissidências

entre os Yorubás.
1602 Olfert

Dapper descreve Benin para Amsterdam.
1610 Fundação

do Quilombo dos Palmares.
1612 Daniel

de La Touche, corsário francês, invade o Maranhão e funda a cidade de São

Luís em homenagem ao rei de França.
1627 Os

holandeses invadem Salvador, Bahia.
1630 Os

holandeses desembarcam em Pau Amarelo, conquistam Olinda e Recife. Aliados

a brasileiros expulsam os portugueses.
1637 Maurício

de Nassau chega ao Brasil, iniciando o desenvolvimento da Colônia. Carta

de Nassau a Amesterdã descrevendo a têmpera dos brasileiros, e

declarando apoio à Palmares (Zumbi), colonos e piratas brasileiros.
1638 Maurício

de Nassau invade São Paulo de Luanda em Angola conquistando-a para a

Capitania de Pernambuco. Com apoio de Maurício

de Nassau, Pieter Jansen Bas e Dom José do Vale, o corsário brasileiro

conhecido por Cabeleira, invadem o Maranhão e derrubam o governador

português Bento Maciel Parente.
1640/1650 Bambushê

Adinimódó, sumo-sacerdote dos Mahiis (Dahomé), trava contato com Isaak

Abuab da Fonseca, primeiro

rabino do Brasil colonial (Recife) e assume diante de Zumbi dos Palmares a

liderança político religiosa dos quilombos.
1625/1650 Fundação

por DEKO do Império do Dahomé. Por dissidência dos grupos Yorubás

surge o grupo dos Fons. Data presumível, África.
1651 Os

holandeses fundaram na África do Sul a cidade do Cabo.
1652 Início

das guerras aos Quilombos dos Palmares.
1680 Sublevação

ashanti e fundação do império ashanti. Princípio da decadência da

arte de Benin.
1691/1695 Conselho

Ultramarino ordena a destruição de Palmares que só se concretiza em

1695, após um sítio de 5 anos por 9 mil soldados.
1713 Tratado

de Ultrecht que regulamenta o tráfico de escravos.
1727 Dahomey:

ocupação do reino de Allada por Agadja, sucessor e irmão de Akaba.
1729 Agadja

controla todo o litoral

Dahomey.
1730 Morte

do imperador ashanti Koffa Kalkalli, e é feita sua máscara de ouro.

Querelas por sua sucessão. Emigração de um grupo Ashanti enviado pela

irmã de Dakon, que funda o reino de Baule na Costa do marfim.
1730/1749 Reinado

de Apoku Auêre, que deslancha militar e economicamente o reino Ashanti.
1738 Os

Yorubás aliam-se a Abomey durante o reinado de Tegbêssu. Os Yorubás

rompem o acordo e tentam cobrar um tributo anual a Abomey.
1739 Chegada

de membros da Família Real do Dahomé a São Luís, Maranhão e integração

dos mesmos com os remanescentes de Palmares e tribos locais.
1775

à 1789
Rei

Kapengla tenta libertar o reino de Dahomey do jugo Yorubano.
1789

à 1797
Debilitação

da autoridade real de Dahomey. Usman constitui na Nigéria um império muçulmano

que agrupa os estados Haussa, o reino Nupe e o Cameron setentrional. Usman

toma o nome de Afonjá (Muçulmano).
1800 Embaixada

de negros dahomeanos em missão Oficial a Salvador – Bahia.
1810/1814/1815 Usman

morre e começa um período de anarquia até 1900. Sua capital toma o nome

de Ilorin. Inglaterra compra Colônia do Cabo.
1818/1858 Ghezo

restabelece a autoridade no Dahomey e derrota os Yorubás e deixa de lhes

pagar tributo.
1849 Os

franceses fundam Libreville no Gabon.
1850 Extinção

do tráfico de escravos no Brasil.
1851 Ghezo

firma tratado com a França.
1853 Desaparecimento

do Império Bornu.
1854 Morte

de Adana, que fundou o império muçulmano no norte da Nigéria.
1858 Os

primeiros missionários e colonos no Dahomey, durante o reinado de Gléglé.
1860 Guerra

Civil americana pela extinção da escravatura.
1867 Descobrimento

de diamantes na América do Sul, na cidade do Cabo das Minas de Monomotapá.
1874 Incursões

inglesas contra os Ashantis.
1877 Inglaterra

coloniza o Transvaal.
1884 Descoberta

de ouro em Transvaal. Os alemães entram em Togo.
1888 Extinção

da escravidão no Brasil.
1889 Behanzin

por sua intransigência provoca a anexação do Dahomey pela França.
1889 Proclamação

da República no Brasil. Chegada de colonos europeus. Escravos libertos são

jogados na indigência pelo novo sistema de governo.
1890 Fim

do reinado de Banbara
1897 Expedição

punitiva dos ingleses a Benin. Anexação do país à Inglaterra. Os

bronzes descobertos são levados para os museus europeus.
1898 Rev.

Samuel Johnson lança seu livro “A História dos Yorubás” – em Oyó.

1900 Última

sublevação Ashanti contra os ingleses. Anexação do Império Ashanti

pelos ingleses.
1906/1907 Descobrimento

da Arte Negra por Matisse, Braque e Picasso.
1914/1918 Guerra

Mundial na qual participam os batalhões de negros recrutados nas colônias

na África. Partilha entre os aliados das colônias alemãs.
1915 Carl

Einstein publica o livro Nigerplastic.
1917 Guilherme

Apolinaire publica o primeiro álbum francês, dedicado à escultura

africana.
1920/1935 Grandes

exposições de Arte Negra, na França: Marseille e Paris, em dois pavilhões

– Marsan e Galeria Pigalle.
1930 Aparecimento

do escultor Yorubano Bamgboye.
1937 Antigo

Museu de Etnografia de Paris se transforma em Museu do Homem.
1944 Conferência

de Brassaville.
1957 Kwamen

Nkrumah liberta Ghana da colonização inglesa trocando o antigo nome de

Costa do Ouro para República de Ghana.
1958 Sublevação

das colônias africanas.
1963 Independência

total da Nigéria, deixando a rainha da Inglaterra de ser o primeiro

mandatário do país, adquirindo o nome de República Federal da Nigéria.
1964 Fundação

da O.U.A.: Organização da Unidade Africana. Esta organização foi

planejada em 1957 por Nkrumah. Movimentos de Libertação na África

Frelimo, CNA, FNLA, MPLA, SWAPO, UNITA.
1975 Os

Bantos conseguem a independência de seu país Angola, que se transforma

em República Socialista de Angola, saindo do jugo português. Revolução

dos cravos Vermelhos em Portugal, fato que altera a política para as Colônias

Ultramarinas da África.
1975-1992 Os

resultados da descolonização de Angola, feita sem o devido critério e

análise dos conflitos étnicos existentes desde o seu descobrimento,

gera, por culpa de Portugal, vinte e cinco anos de governos totalitários

e uma guerra que matou mais de dois milhões de angolanos. Os responsáveis

foram: Eduardo Soares, Holden Roberto e Jonas Savimbi.
1999 A

fome, a miséria e a morte imperam na Somália, Burundi e em várias

outras recém criadas repúblicas, matando milhões de crianças e

mulheres diante do descaso dos países do Primeiro Mundo, que assistem

impassíveis à apocalíptica

destruição da Velha Mãe África que um dia supriu seus celeiros e povos

com o imprescindível braço e sangue negro.


LENDAS JUDAICA/CATOLICA

A lenda de Lilith:
Na Bíblia, os principais arquétipos femininos são o de Eva, a mulher que trouxe o pecado para a humanidade; e o de Maria, a mulher que trouxe ao mundo aquele que salvaria todos os homens do pecado. Porém, há na mitologia semita, uma terceira mulher cuja trajetória está diretamente ligada à do destino da humanidade: Lilith, a primeira esposa de Adão, a serpente que enganou Eva, o demônio da luxúria.
Existem algumas versões diferentes da lenda de Lilith, na mais aceita pelos estudiosos do mito e com fundamentos na Talmud (um dos livros considerados como fonte da sabedoria rabínica), Lilith é criada por Deus da mesma forma como Adão, ou seja, moldada pelas mãos divinas, só que a partir de lodo e fezes. Os dois são o primeiro casal, responsáveis por cuidar do Éden. Só que com o tempo Lilith se rebela por não se conformar em estar em uma posição inferior a de seu marido, já que ambos foram criados a imagem e semelhança de Deus. A submissão é detectada inclusive sexualmente, onde Lilith exerce poder de sedução e entorpecimento orgástico em Adão e ele, por outro lado, se deita continuamente sobre ela, num sinal de domínio no coito e na relação, o que Lilith não aceita (GOMES & ALMEIDA, 2007: p. 11).
Em busca de igualdade, Lilith entra em conflito com seu marido, contesta sua posição de inferioridade, e contesta também o criador, tendo que escolher entre se submeter ou deixar o jardim. Ela escolhe a segunda opção e parte para um exílio no Mar Vermelho, reduto de demônios. Durante algum tempo Lilith se vê impelida por anjos a voltar ao jardim, porém escolhe viver como demônio e abandona de vez Adão (RODRIGUES, 2007: p. 07). Este, triste por perder sua mulher, adormece, e a partir de sua costela Deus cria Eva, uma mulher que saiu do homem, portanto dependente e submissa a ele, a que seria oficialmente a primeira esposa de Adão, a mãe da humanidade.
Após seu exilo no Mar Vermelho Lilith volta ao Jardim do Éden como um demônio, e na forma de uma serpente é responsável pela tentação de Eva, que levou toda a humanidade ao pecado. Com astúcia, Lilith confunde Eva e desperta nela o desejo de igualdade, não a igualdade com o homem, que a primeira mulher antes desejava, mas a igualdade com o próprio Deus (FONSECA, 2007).
Na Bíblia, não temos nenhuma referência à Lilith, e a serpente é identificada com o Diabo, mas no imaginário judaico, já associado às lendas mesopotâmicas, Lilith é o demônio da luxúria (NOGUEIRA, 2002: p. 17) – que tentava os jovens sexualmente á noite levando-os a sonhos eróticos e “poluição noturna”-, e mais tarde, com a maior sistematização das crenças de Israel, a lenda foi acoplada à idéia do Diabo e suas hostes. Por outro lado, o mito de Lilith, presente originalmente na cultura dos babilônicos e assírios, perdurou também na tradição oral dos hebreus e nos livros de sabedoria, considerados apócrifos pela cultura cristã. Além disso, a lenda tem sido retomada pelo estudo das religiões, religiões e mitologias comparadas, psicologia e pela astrologia e misticismo, onde Lilith é a lua negra, a face oculta lunar.
Desse modo, pretendemos analisar os três arquétipos femininos que aqui propomos: o de Eva, o de Maria, e o exposto acima, o de Lilith.




Figura 1: O pecado original e a expulsão do Paraíso. – Michelangelo, séc. XVI. (Capela Sistina)

Eva:
Eva é, segundo a Bíblia, a primeira esposa de Adão. De acordo com este livro sagrado, depois que todas as coisas já haviam sido criadas, Deus a fizera de uma costela do homem para ser a companheira deste, pois todos os outros animais tinham um par, menos o ser humano. Adão nomeou-lhe, como tinha feito com o resto da criação. (Gênesis, cap. I e II)
Ela é também a responsável pelo pecado original, pois sucumbiu aos apelos da serpente e comeu do fruto proibido por Deus, desobedecendo às ordens divinas. Além disso, convenceu Adão a também desobedecer a Deus e comer do fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal”, o que levou toda a raça humana à perdição.
Segundo o que expõe Jacques Le Goff, dentre as interpretações que podem ser feitas dos primeiros capítulos de Gênesis, temos a de que Eva foi uma criação imperfeita até ser nomeada por Adão, e a de que a existência dela, e da mulher, só acontece em razão das necessidades de Adão, ou seja, Deus só a criou quando percebeu que o homem estava só e precisava de uma companheira (LE GOFF, 2008: 121). Daí podemos colocar que Eva só poderia ter sua identidade e existência ligadas a de Adão.
São Tomás de Aquino, um dos maiores teóricos do catolicismo, viu no fato de Deus ter criado Eva a partir da costela de Adão um indício de igualdade entre homem e mulher, pois, segundo ele, se Eva fosse criada da cabeça seria uma indicação de superioridade, e se fosse criada do pé, uma indicação de inferioridade (LE GOFF, 2008: 122). Por outro lado, esse também pode ser um indicativo de profunda ligação e até mesmo dependência entre os dois, principalmente de Eva em relação a Adão, de quem foi gerada, o que transferido para o imaginário pode implicar na idéia de dependência das mulheres para com os homens.
Quando Eva foi tentada pela serpente a Bíblia não revela explicitamente se ela estava sozinha ou em companhia de Adão, porém a não interferência dele no diálogo entre ela e a serpente faz parecer que ambas estavam sozinhas. Eva é tentada a ser como Deus, conhecedora do bem e do mal, caso comesse do fruto da árvore do conhecimento, além disso, não enfrentaria a pena instituída por Deus para a desobediência, a morte. Após analisar o fruto, a mulher decide comê-lo e o oferece a seu marido, que também come. Imediatamente ambos percebem que estão nus e se escondem ao ouvir a voz de Deus (Gênesis, cap. III).
É importante notar que quando Deus pergunta sobre a desobediência, Adão culpa Eva e esta culpa a serpente. Os três são penalizados, a serpente – que segundo lendas tinha asas – rastejaria para sempre; o homem teria que trabalhar para se sustentar; a mulher e a serpente seriam inimigas; a mulher teria dores de parto e seria dominada pelo marido; e por fim a humanidade estava banida do Paraíso. Há ainda a menção do filho da mulher que esmagaria a cabeça da serpente, o que para alguns teólogos faz referência à Cristo e Satanás (Gênesis, cap. III).
Eva é então a culpada pelo pecado original, o que, no imaginário, se dissemina para todas as mulheres. É interessante que Eva, apesar de transgressora, fica ao lado de Adão para ouvir sua sentença, e a cumpri, carregando o estigma de pecado, impureza, fragilidade, ingenuidade e sofrimento remidor que se estende para as mulheres na sociedade cristã, como algo inerente a sua natureza. Lilith, por sua vez, escolhe viver sozinha e errante, e como mulher não recebe o castigo da maternidade, ou a maternidade como um castigo, no sentido das dores de parto e do sofrimento, como logo veremos com Maria.
Assim, além de culpada pela desgraça humana, a mulher (a partir de Eva) é também estereotipada como aquela que dá ouvidos ao Diabo, tendo, portanto, propensão a ser enganada por ele e a seguir seus desígnios e ardis. Esse estereótipo perseguiu as mulheres principalmente durante a Inquisição, onde o nascer mulher já era um pressuposto para uma acusação de pactos demoníacos sob a forma de bruxaria ou feitiçaria.

Maria:
Em Maria temos a mãe do Salvador da humanidade. Ela é a responsável por trazer ao mundo o Deus encarnado, e tão miraculosa quanto a encarnação divina é a forma como ela acontece, pois Maria engravida do Espírito Santo ainda sendo virgem. Tal qual o Deus, que é Deus e homem, Maria é ao mesmo tempo mãe e virgem.
É interessante essa atribuição dada a Maria, pois mesmo com o parto e com o casamento com José ela permanece sempre virgem nas pregações e no imaginário cristão. Maria reúne, portanto, atribuições que remetem a mulher cristã perfeita: aquela sempre casta sexualmente, pois de virgem e pura passa à maternidade sem conjunção carnal, e depois de mãe torna-se assexuada, como todas as mães são ou deveriam ser no imaginário ocidental.
Para Eva, a maternidade foi um castigo para o pecado, pois com ela vieram as dores e o sofrimento. Mas é através do castigo de Eva que vem a honra à Maria e a remissão não só a humanidade como a todas as mulheres. Como coloca Jacques Le Goff (LE GOFF, 2005: p. 285):


Quando no Cristianismo há a promoção da mulher – somos levados a reconhecer no culto da Virgem, triunfante nos séculos 12 e 13, uma mudança de rumo da espiritualidade cristã, que passa a sublinhar a redenção da mulher pecadora por Maria, a Nova Eva (...).
Assim, Maria ocupa o posto de mãe simbólica da humanidade, que pela lógica deveria ser de Eva, remediando através “do fruto de seu ventre” o desastre que a outra havia cometido. Maria também passa a ser símbolo do catolicismo, e é até hoje ícone dos católicos perante os outros cristãos, através de sua imagem, suas orações e a devoção que a Igreja presta a mãe de Cristo.
É importante ressaltar que, dentro de uma sociedade visivelmente machista e de pensamento masculinizado que é a ocidental, fruto das misoginias judaica e ateniense, a maternidade e a geração da prole foram o ápice da vida feminina durante séculos, onde os prazeres sexuais das mulheres, sempre tolhidos, deviam estar associados com a possibilidade de procriação.
Vale salientar que o modelo feminino de Maria é complementar ao de Eva no sentido da maternidade, pois Eva é o exemplo de boa esposa: companheira, submissa, que fica ao lado do marido; e Maria é por excelência o modelo de mãe ideal, sendo o casamento e a geração de prole idéias subseqüentes.
Apesar de toda valorização de Maria em oposição ao pecado de Eva há na imagem das duas algumas semelhanças, pois ambas só podem ser percebidas e são diretamente associadas às figuras masculinas que lhe acompanham, Adão e Cristo. Nesse sentido, há a dependência da imagem masculina para complementar o papel feminino nas duas personagens, pois Maria só é Maria pelo fato de ser mãe de Cristo, e Eva só veio a existir pelas necessidades de Adão. Quando se pensa em Maria há a associação imediata dela com seu papel de mãe de Jesus, e quando se pensa em Eva, ela é inseparável de seu companheiro Adão, no binário Adão e Eva, com exceção do momento da tentação e do pecado, onde parece que Eva foi a única culpada pelo pecado original.
Além disso, Maria e Eva coincidem em mais um aspecto: o sofrimento. Para Eva são as dores de parto, para Maria as dores de ver o próprio filho no caminho para o Calvário. Estas imagens nos trazem um modelo do feminino que só se realiza na maternidade, a qual sempre lhe traz sofrimentos, desde o parto e continuamente nas preocupações maternas e, supostamente, instintivas da mãe para com o filho, a querer poupar-lhe sempre e em sofrer com os seus sofrimentos, como se fosse um castigo divino.

Lilith:
Se Eva nega sua ambição e seu desejo de ser igual a Deus, conformando-se em ser dominada por seu marido, arquétipo perfeito da mulher desastrada e submissa; e Maria nega sua sexualidade, sendo mãe e virgem, arquétipo materno; Lilith, por sua vez assume desde sua criação suas convicções, ambições e sua sexualidade, sendo, por isso, até mesmo aquela mulher que assusta, domina e pode destruir.
Segundo descrições das escrituras hebraicas (Torah e Midrash), Lilith se apresentou a Adão coberta de sangue e saliva, o que para a psicóloga Cátia Rodrigues representa o seguinte (RODRIGUES, 2007: p. 05):


O sangue mencionado na citação acima sugere a menstruação, uma característica carnal e instintiva da mulher, além da ausência de pudor e tabus de Lilith, que apresenta-se livremente ao homem, disposta também à experiência sexual no ciclo menstrual. A saliva reforça o caráter sexual simbólico, remetendo a uma idéia de secreções eróticas. Deste modo, fica evidente a condição sensual e libertada dos preconceitos dentro do universo simbólico feminino em Lilith; é essa atuação sexual, que leva o homem ao êxtase e fora do controle sobre si mesmo, o que amedronta o universo simbólico masculino expressado em Adão: por isto, ele se afasta e busca uma companheira adequada - ou seja, submissa, obediente, que sinta-se inferior.
Na última frase de Rodrigues acima citada poderia ler-se: que sinta-se inferior por causa de seu próprio corpo, pois é desse modo que a mulher é educada tradicionalmente, a tolher sua sexualidade e envergonhar-se dela.
De todo modo, Lilith seria um arquétipo feminino de independência e sensualidade. Representaria a mulher que não se envergonha de si própria, mas ao contrário, tem orgulho de ser mulher, e expressa esse orgulho através de sua sexualidade. Lilith também demonstra esse orgulho ao não permitir-se viver em submissão a Adão, deixando para trás o paraíso para ter, por opção, uma vida livre e fora da sombra masculina, pagando por isso a pena de se tornar um demônio. É o oposto, portanto, ao modelo de mulher tolhida, submissa, arrependida, e que só tem sua identidade ligada a uma figura masculina.
Nas palavras de Eduardo Fonseca, “Lilith é a figura da mulher insubmissa, intelectual, vigente, guerreira e fêmea em todos os sentidos, porém, clitorianamente ativa.” (FONSECA, 2007). Nesse último aspecto Lilith passa obviamente para o pólo oposto ao de Maria, pois sua sexualidade latente não corresponde à figura estereotipada que as sociedades ocidentais, em geral, têm das mães.
Segundo os psicólogos Antônio Gomes e Vanessa Almeida (GOMES & ALMEIDA, 2007: p. 16):


As conseqüências da repressão da sexualidade de Lilith são entre outras a dissociação entre a maternidade e a sexualidade, o duplo padrão de moral e o controle da sexualidade masculina.
Tal dissociação criou a figura da esposa dissociada da imagem da mulher, o que significa que o homem ocidental não consegue identificar a esposa e a amante numa mesma mulher, recorrendo ao duplo padrão de moral para realizar seus desejos sexuais. O que se observa frequentemente é que ele mantém a esposa em casa para lhe dar filhos e a amante para lhe dar prazer. Este padrão vem sendo quebrado pelas mulheres que não mais aceitam esta condição de mulher incompleta que as coloca numa condição humilhante perante Deus e o homem.
Nesse sentido, nos mitos temos Eva como boa esposa, que embora falha, reconhece seu erro e permanece ao lado de seu marido (mesmo ele não a tendo defendido, mas acusado perante Deus); e Lilith, que desde o início desperta singular desejo no homem, mas que ele não pode ter, pois para isso teria que destituir-se da sua posição superior a ela. Assim, Lilith representa a mulher perigosa, indomável e sensual, a qual o homem não pode possuir oficialmente, pois isto lhe custaria uma relação de extrema igualdade no casamento, uma representação social com a mesma notoriedade daquela que o acompanha.
Ainda sobre a relação Adão – Lilith, os psicólogos escrevem (GOMES & ALMEIDA, 2007: p. 11):


Segundo o mito, as relações entre Adão e Lilith foram marcadas pela emergência, pela paixão capaz de dominar Adão e fazê-lo perder a razão e entregar-se a luxuria. Acredita-se que a sedução produzida por ela o fazia afastar-se de seus compromissos com a divindade.
e (RODRIGUES, 2007: p. 18):


Lilith está por trás dos fenômenos histéricos, a partir da repressão da sexualidade, que origina somatizações e enfermidades. É ela a responsável pela desunião da família, seja projetada em uma amante sedutora que ‘tira’ e ‘rouba’ o marido da esposa, seja projetada na rebeldia da esposa que não suporta o “não” de seu marido-Adão.
Certamente, no fator citado acima está mais um dos que tornam a figura de Lilith perigosa, ela seria o tipo de mulher capaz de dominar o homem e fazê-lo esquecer de suas responsabilidades, levando o fim das relações – com o divino e com o próximo.
Porém, para além da questão sexual, que desencadeia muitas outras lendas e interpretações a respeito de Lilith, como a que coloca que ela seria um demônio que povoava os sonhos dos homens israelitas, tornando-os eróticos (GOMES & ALMEIDA, 2007: p. 11), sendo, assim, o primeiro súcubo, ou a mãe dos súcubos; Lilith pode ser considerada um exemplo de coragem do espírito feminino ao não se submeter, ao desafiar o homem e o divino em busca de suas convicções.
Lilith teria tido um castigo a altura de suas afrontas no ponto de vista da misoginia judaica, pois o preço por sua rebeldia foi tornar-se um demônio. Lilith fora criada como mulher, mas a nova condição a impedia de um convívio com a humanidade, e de acordo com a punição onde mulher e serpente seriam para sempre inimigas, Lilith e seu arquétipo tornaram-se drasticamente opostos e até mesmo rivais de Eva e o modelo de mulher que ela sugere. Nesse ponto temos ainda a já referida dicotomia entre a esposa e a amante, presente no imaginário.
Outro aspecto é a referência demoníaca de Lilith, pois se Eva é aquela mulher que cede aos assédios do demônio, Lilith é o próprio demônio. Sendo representada durante séculos na literatura como a mãe dos súcubos, a esposa de Satanás, a Lua Negra, a bruxa que mata criancinhas, e etc., sendo mencionada também no cinema e em famosas séries de televisão com os mesmos atributos. O mito de Lilith reforçou, nesse ponto, o preconceito contra as mulheres que eclodiu principalmente durante as Inquisições medieval e moderna, onde milhares foram queimadas sob a acusação de bruxaria, principalmente aquelas que explicitavam sua sexualidade e sua força, tornando-se um incomodo social.
Nesse sentido, reforça-se a idéia de que a mulher que detém poder é geralmente perversa e, ao contrário, a docilidade e a bondade, são atributos associados à submissão feminina, à passividade em aceitar imposições. Temos exemplos históricos de mulheres cujo poder, sabedoria e astúcia foram ligados a uma suposta crueldade, como Cleópatra, Agripina, Messalina e Catarina de Médici, entre outras.

Considerações Finais:
De modo geral, o que mais chama atenção em Lilith é sua personalidade ativa e independente, sua coragem e autoconfiança, que são indubitavelmente aspectos inspiradores para qualquer mulher da contemporaneidade.
Por outro lado, os padrões socialmente instituídos de casamento e maternidade, para os quais também foi inventado que a mulher se destina, se espelham na docilidade e companheirismo de Eva e no amor incondicional de Maria, que no imaginário católico se estende de Cristo para toda a humanidade, de modo que estes são modelos de feminino ainda válidos e importantes para o papel da mulher na sociedade.
Fica, portanto, a questão: poderiam os três arquétipos coexistir numa mesma mulher, ou fazerem parte de um mesmo ideal de feminilidade? Uma visão mais conservadora diria que não. Diria que uma mulher independente, que desejasse espaços de expressão própria fora da sombra masculina teria pouquíssimas possibilidades de sucesso no casamento e na maternidade, e que, do mesmo modo, uma mulher casada e mãe deveria ter a sexualidade inibida e se dedicar quase com total exclusividade ao papel materno.
Porém, os espaços que a mulher tem ocupado nas ultimas décadas provam o contrário. Uma jornada tripla, de profissional, mãe e esposa tem sido a rotina de muitas mulheres, que apesar de alguns entraves conseguem conciliar bem a independência – social, financeira, cultural, etc. – com os papéis de mãe e esposa.
É importante ressaltar que estes arquétipos femininos, que a tradição colocou como opostos entre si, onde a mulher livre e independente foi, por muitas vezes e em muitas sociedades, estigmatizada e marginalizada, tida como incapaz de ser mãe; podem guardar dentro dos mitos (e/ou histórias) que as originam um mesmo principio materno. Pois, Lilith, como a primeira mulher de Adão poderia ser a mãe de uma humanidade mais liberal, menos hipócrita e complexada, e de fato foi “mãe” e mentora de muitos homens e mulheres, a começar pela própria Eva.
Lilith, aliando aspectos do modelo de Eva e Maria, representa esta mulher livre, inteligente, forte e disposta a enfrentar preconceitos e adversidades, a qual tem mostrado uma influência cada vez maior na sociedade, dentro da política, da economia, das artes e da ciência, ocupando espaços antes exclusivamente masculinos, conquistando aos poucos a dita igualdade que tantos atritos gerou no Éden.
Assim, concluímos este texto com a acertada afirmação de Antonio Gomes e Vanessa Almeida sobre a primeira mulher da face da terra (GOMES & ALMEIDA, 2007: p. 18):


Em linhas gerais isto quer dizer que ela representa o oposto das características que foram culturalmente atribuídas como obrigações femininas. Lilith representa, portanto, a rebeldia contra a passividade, à submissão e a obediência. O repúdio à tradição patriarcal de dominação do homem sobre a mulher; a luta pela igualdade de condições e direitos e principalmente o desenvolvimento de ações seguras e assertivas diante de seus ideais.


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BIBLIOGRAFIA:
BIBLIA SAGRADA. Edição Revista e Corrigida. Trad.: João Ferreira de Almeida. King’s Cross Publicações, 2007.
FONSECA, Eduardo. Lilith ou Liliath. In: http://www.yorubana.com.br/textos/lilith.asp, 2007. Acessado em 29/01/2010, às 15: 50 h.
GOMES, Antonio Maspoli de Araújo. & ALMEIDA, Vanessa Ponstinnicoff de. O Mito de Lilith e a Integração do Feminino na Sociedade Contemporânea. In: Âncora – Revista digital de estudos em religião. Ano II, Vol. II, Junho 2007.
LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. São Paulo: EDUSP, 2005.
_______________. Uma longa Idade Média. Trad.: Marcos de Castro. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2008.
NOGUEIRA, Carlos Roberto F. O Diabo no imaginário cristão. São Paulo: EDUSC, 2002.
RODRIGUES, Cátia Cilene Lima. Lilith e o arquétipo do feminino contemporâneo. In: Ética, religião e expressão artística. Anais do III Congresso Internacional de Ética e Cidadania. 2007.

LENDAS AFRO ANANSE HISTORIA DO DEUS DO CÉU

Ananse e as histórias do Deus do Céu


A aranha Kwaku Ananse, certa vez, vendo que não havia mais histórias para contar na terra, desejou comprar as histórias do Deus céu, Nyankonpon, que este guardava numa urna feita de ouro. Para tal, fez uma imensa teia, que alcançava até o céu. Lá chegando, foi ter com o rei, que morava num imponente palácio, cercado por conselheiros, com o chão repleto de pessoas imponentes, que cercavam o rei em seu poderoso trono. Todos pararam ao ver Anase, que apesar de ser famoso, nunca havia ido até o Deus do céu, a quem depois de se curvar disse que queria comprar as histórias. O Deus céu riu muito, sem parar, e com toda a corte. Depois de dominar a própria hilaridade, disse:
- O preço de minhas histórias, Ananse, é que você me traga Onini, a grande jibóia; Osebo, o leopardo de dentes terríveis, Mmboro as vespas que picam como fogo, e Mmoatia o espírito que nenhum homem viu. – ao responder, pensava que Anase ia desistir, mas ele apenas disse;
- Pagarei o preço e juntarei a ele minha mãe, Nsia. – o rei novamente gargalhou e disse:
- Ó Ananse! Como pode você, tão pequenino, pagar meu preço, onde tantos e tão poderosos reis preferiram desistir?
Ananse nada respondeu, apenas descendo por sua teia. De lá. Caminhou até sua casa, onde se avistou com a mulher, Aso e disse o que fizera. Depois de contar, perguntou:
- Como posso agarrar Onini?
- Vá pegar um pouco de trepadeira e um galho de palmeira, e venha ao riacho onde ela toma banho de sol. Depois de providenciar tudo, ambos foram até o local, e lá chegaram desataram a discutir furiosamente:
- É maior do que ela! – dizia Aso
- Você mente – retorquia Anase – é do tamanho dela!
E ambos, sem se preocupar se Onini ouvia ou não prosseguiam a discussão. Pouco tempo depois á jibóia se aproximou, curiosa com as vozes que a incomodavam e disse:
- Que se passa? Porque discutem assim?
- Minha mulher diz que você é maior que esse galho de palmeira, e eu digo que não! – falou Ananse. Onini sorriu, sua língua silvou e disse:
- Vou me deitar nesse galho. Assim poderão ver quem está certo. – e assim fez. Quando ela se estendeu em toda o seu tamanho, Ananse pegou o cipó de trepadeira e a amarrou bem apertado, levando-a para perto de uma árvore. Depois disso, começou a pensar em como pegar Mmboro, as vespas que picavam como fogo. Novamente Aso disse a Ananse o que fazer. Assim, pouco depois, lá ia Ananse com um pedaço de grossa folha de bananeira e uma cabaça com água do riacho, para junto da árvore onde as vespas descansavam. Lá chegando, esperou um pouco, e quando elas estavam distraídas jogou sobre elas quase todo o conteúdo da cabaça, e mais um pouco sobre a folha de bananeira. Foi uma algazarra, e ele disse depois de uns minutos:
- Vespas, está chovendo! Eu tenho essa folha de bananeira, mas vocês estão sem abrigo, e podem estragar as asas! Rápido, entrem nessa cabaça! – e todo enxame terminou por entrar naquele recipiente. Ananse, depois delas entrarem, colocou a folha de bananeira e tampou a cabaça.



Indo de volta para casa, passou por acaso pelo riacho onde Osebo costumava beber água. Teve uma idéia, e cavou célere uma cova funda, depois teceu uma teia bem forte no fundo do buraco. Cobriu eles com folhas de árvores, levou a cabaça com Mmboro para a árvore onde Onini estava amarrada e foi para casa. No dia seguinte Osebo estava preso na teia, e ele levantou o leopardo com a ajuda de uma corda, depois o prendendo junto com Mmboro e Onini. Enquanto isso ia pensado em como agarrar Mmotia, o espírito que nenhum homem nunca havia visto. Depois de muito pensar, encontrou um galho de mpingo, que havia sido derrubado por um raio, e teve uma idéia. Esculpiu uma boneca com muita habilidade, dando a ela a aparência de um ser humano. Depois disso, passou em casa e mandou Aso cozinhar o mais delicioso mingau de mandioca que ela sabia fazer. Feito tudo isso, colocou a boneca com uma tigela de cobre onde estava o mingau, em um lugar que sabia que Mmoatia vinha dançar, não sem antes passar, da cabeça aos pés na boneca, uma gosma pegajosa de uma árvore. Pouco depois, lá vinha Mmoatia dançando com muita intensidade e vigor, como só os espíritos sabem dançar, brincando com os outros espíritos seus amigos. Depois de toda essa algazarra, enquanto os outros iam embora, ele viu a boneca e o mingau, e sentindo o cheiro e com a fome apertando, foi pedir um pouco de comida:
- Boneca de madeira, poderia me dar um pouco de mandioca? Tenho muita fome. A boneca nada respondeu, e nem podia! Mmoatia, que era genioso como todos os espíritos, se enfezou e esbofeteou a boneca, ficando com a mão presa! Muito contrafeito, e ainda zangado, Mmmoatia disse:
- Se não me soltar, boneca de madeira, vou te dar outro tapa! – dito e feito! Dessa vez a mão esquerda ficou presa na resina gosmenta. Mmoatia ficou tão zangado que de novo tentou chutar a boneca, mas só conseguiu derramar o mingau que queria comer e ficar com os pés e as mão presos. Depois disso, Ananse veio e levou Mmmoatia para junto de Onini, Osebo e Mmboro. Passou mais um dia, enquanto ele ia ter com sua mãe, para buscá-la e levá-la até o céu, onde ia dá-la como parte do pagamento pelas histórias.
No outro dia Ananse prendeu todos com força no saco que sempre levava as costas, e junto com a mãe galgou a teia gigante que ia até o céu, pata chegar ao palácio de Nyankonpon. Este estava numa festa com os outros Deuses, e ao ver Ananse chegar chamou seus amigos e disse, muito alto:
- Vejam! Eis que vem Ananse, a aranha, de certo pequenino mas com astúcia sem igual! Pois ele capturou Onini, a grande jibóia; Osebo, o leopardo de dentes terríveis, Mmboro as vespas que picam como fogo, e Mmoatia o espírito que nenhum homem viu, além de me trazer sua velha mãe Nsia como pagamento por minha histórias! Reis e Deuses tentaram, antes comprar, mas nenhum deles conseguiu! De hoje em diante presenteio Kwaku Ananse com minhas histórias, que serão chamadas de “Histórias da Aranha”! – E deu a Ananse a preciosa urna, com novas histórias, que ele levou para a terra.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

a lenda de que a sexta 13 dá azar


Muita gente não gosta de sexta-feira 13. Porém, hoje é só a primeira de 2012. Até o fim do ano, outras duas datas vão apavorar os superticiosos.
Sabe como surgiu a lenda de que a sexta 13 dá azar?
A crença de que o dia 13, quando cai em uma sexta-feira, é dia de azar, é a mais popular superstição entre os cristãos. Há muitas explicações para isso. A mais forte delas, segundo o Guia dos Curiosos, seria o fato de Jesus Cristo ter sido crucificado em uma sexta-feira e, na sua última ceia, haver 13 pessoas à mesa: ele e os 12 apóstolos.
Outros acreditam que a maldição da data começou na época dos templários. Filipe IV, rei da França na época, decidiu acabar com a ordem dos templários em uma sexta-feira, 13 de outubro.
Há também os que defendem a origem nórdica. Com a conversão, a deusa Friga teria se tornado uma bruxa que costumava se reunir com 11 feiticeiros e um demônio. Isso, claro, acontecia em todas as sextas-feiras.

Mas mais antigo que isso, porém, são as duas versões que provêm de duas lendas da mitologia nórdica. Na primeira delas, conta-se que houve um banquete e 12 deuses foram convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga que terminou com a morte de Balder, o favorito dos deuses. Daí veio a crendice de que convidar 13 pessoas para um jantar era desgraça na certa.

Segundo outra lenda, a deusa do amor e da beleza era Friga (que deu origem à palavra friadagr = sexta-feira). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, a lenda transformou Friga em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio. Os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.

O número 13

A crença na má sorte do número 13 parece ter tido sua origem na Sagrada Escritura. Esse testemunho, porém, é tão arbitrariamente entendido que o mesmo algarismo, em vastas regiões do planeta - até em países cristãos - é estimado como símbolo de boa sorte. O argumento dos otimistas se baseia no fato de que o 13 é um número afim ao 4 (1 + 3 = 4), sendo este símbolo de próspera sorte. Assim, na Öndia, o 13 é um número religioso muito apreciado; os pagodes hindus apresentam normalmente 13 estátuas de Buda.

Na China, não raro os dísticos místicos dos templos são encabeçados pelo número 13. Também os mexicanos primitivos consideravam o número 13 como algo santo; adoravam, por exemplo, 13 cabras sagradas. Reportando-nos agora à civilização cristã, lembramos que nos Estados Unidos o número 13 goza de estima, pois 13 eram os Estados que inicialmente constituíam a Federação norte-americana. Além disso, o lema latino da Federação, "E pluribus unum" (de muitos se faz um só), consta de 13 letras; a águia norte-americana está revestida de 13 penas em cada asa.

sábado, 31 de dezembro de 2011

LENDAS = A lenda de Ísis e Osiris


Conta a lenda que Seth com inveja de Osiris, por este ter herdado o reino do pai na terra, engendrou um plano para matá-lo e assim usurpar o poder. Quando Osiris dormia, Seth tirou suas medidas e ajudado por 72 conspiradores, mandou construir um esquife com as medidas exatas de Osiris. Organizou um banquete e lançou um desafio, aquele que coubesse no esquife o ganharia de presente. Todos os deuses entraram e não se ajustaram.

Assim que Osiris entrou no esquife, Seth o trancou e mandou jogá-lo no rio, a correnteza o levou até a Fenícia. Ali ficou preso em uma planta até fazer parte do caule, que foi usado para construir uma coluna o "Djed".

Isis partiu em busca do esposo, e após muitas aventuras, conseguiu regressar ao Egito com a caixa, que escondeu em uma plantação de papiro. Seth a descobriu e cortou o corpo de Osiris em quatorze pedaços, que espalhou pelo Egito. Novamente Isis parte em busca dos despojos do esposo e dessa vez ajudada pela irmã Néftis, transformadas em milhafres (espécie de ave de rapina, semelhante ao abutre), encontram todas as partes de Osiris, exceto o órgão genital, que havia sido devorado por um peixe o Oxirincos.

Isis foi ajudada por Anubis que embalsamou Osiris, e este tornou-se a primeira múmia do Egito. Utilizando seus poderes mágicos, Isis, conseguiu que Osiris a fecundasse e dessa união nasceu Horus.

Seth iniciou uma luta pelo poder que envolveu todos os deuses. Por fim o próprio Osiris a partir do outro mundo, ameaçou mandar levantar todos os mortos se não fosse feita a justiça.

Rá e um tribunal de deuses estabeleceram que a sucessão fosse hereditária, e assim, Hórus pôde reinar.
Dessa maneira o Faraó em vida convertia-se em Hórus e ao morrer identificava-se com Osiris, o soberano do Além, considerando-se igual ao deus.