sábado, 14 de maio de 2011

LENDAS AFRO E BRASILEIRA "" IFÁ ""



LENDA 1

Diz-se que, nos primórdios dos tempos, não existia separação entre o céu e a terra (Orum-Aiyé) e que havia uma convivência íntima entre os orixás e os seres humanos; todos podiam ir ao Orum e voltar quando desejassem. Porém certo dia, o homem desonrou seu compromisso com Olorum, pecou contra o supremo ao tocar o que não podia ser tocado ou comer o que não podia ser comido. E assim, o mesmo dividiu o céu e a terra. O privilégio da livre comunicação desapareceu em troca das diferentes formas oraculares estabelecidas e legadas por Orunmilá. Odus (signos de ifã), são presságios, destinos, predestinação. Os Odus são inteligências siderais que participaram da criação do universo; cada pessoa traz um Odu de origem e cada orixá é governado por um ou mais Odus. Cada Odu possui um nome e características próprias e dividem-se em “caminhos” denominados “Ese” onde está atado a um sem-número de mitos conhecidos como itàn ifá.

LENDA 2

                 

"Ifá era muito pobre e vivia da pesca. Então fez um trato com Legbá - o mensageiro celeste. Ele pediu que Exú lhe arranjasse riqueza e em troca ele seria à Exú como escravo por 16 anos. Exú, muito ladino, conhecedor das artes advinhatórias, ficou feliz em ter a companhia de Ifá. E aos poucos foi ensinando-lhe os segredos do futuro. Usava para ensinar a Ifá uns coquinhos de dendê. Mas, Ifá aprendeu tanto, que já não tinha vontade, nem tempo para limpar a casa de Exú. Um dia apareceu uma bela mulher na casa de Exú. Era Apetebi, e pediu para ajudar a arrumar a casa do Compadre. E aos poucos foi aprendendo a arte da adivinhação. Apetebi só se vestia de dourado e quando passava deixava um rastro de perfume. Ela não era outra se não Oxum. Oxum foi ensinada por lfá através do jogo com 16 coquinhos de dendê. E tanto aprendeu que Exú passou a responder a todas as perguntas da Yabá Menina".

LENDA 3

Rivalidade entre Orumilá e Ossain
Orunmilá (Eleri Ipin), o testemunho do destino dos seres humanos, está precisando de um criado. Ele vai ao mercado e, entre os escravos que estão à venda ele escolhe Ossain. Manda-o desmatar o campo para preparar as novas plantações. Entretanto, para desespêro de Orunmilá, Ossain volta, à noite, sem ter cumprido sua ordem. Orunmilá o peergunta por que nada fez. Ossain lhe responde:
"Todas essas plantas, estas folhas e estas ervas têm virtudes. Elas não podem ser destruídas. Esta folha por exemplo, acalma as dores de dentes; esta outra, protege contra os efeitos de trabalhos maléficos; esta outra, ainda, cura a febre. Impossível, em verdade, arrancar plantas tão necessárias à saúde e à felicidade!"
Orunmilá, impressionado, decide que Ossain deverá, a partir de então, permanecer ao seu lado durante as sessões de adivinhação, para guiá-lo na escolha dos remédios que deverá prescrever a seus consulentes. Uma surda rivalidade se estabelece, pouco a pouco, entre esses deuses. Ossain, sofrendo por ser mantido em submissão, se vangloriava de ser mais importante que Orunmilá, pois ele possuía o poder da magia mortal e dos medicamentos que preparava. Ossain chegou a declarar ao rei Ajalayé que ele viera ao mundo antes de Orunmilá e, sendo mais antigo, tinha direito a seu respeito. O rei Ajalayé envia, uma mensagem a Orunmilá. Ele quer saber, entre ele e Ossain, qual é o mais importante dos dois. Orunmilá responde ser ele mais antigo que Ossain. O rei decide submetê-los a uma prova. Ele os convoca, acompanhados de seus primogênitos. Orunmilá chega com seu filho chamado Sacrifício. Ossain apresenta-se com o seu, chamado Remédio. Os dois serão enterrados durante sete dias. Aquele que sobreviver à provação e responder primeiro, com uma voz clara e forte, ao chamado que será feito, no fim do último dia, verá seu pai ser declarado vencedor.
Duas covas foram abertas. Sacrifício e Remédio foram colocados dentro e as covas firam fechadas. Orunmilá, voltando para casa, consultou Ifá. "Meu filho estará ainda vivo, passados os sete dias?" Ifá aconselhou-o a oferecer muito ekuru - um prato saboroso, bolo de feijão, pimenta, um galo, um bode, um pombo, um coelho e dezesseis búzios da costa. Orunmilá preparou a oferenda. Ela foi colocada em quatro lugares: na estrada, numa encruzilhada, diante de Exú e no mercado. Exú exerceu seu poder sobre o coelho sacrificado. Este ressuscitou e cavou um buraco que foi terminar na cova de Sacrifício, o filho de Orunmilá. Assim, o coelho levou alimento para ele.
Remédio, o filho de Ossain, nada tinha para comer. Mas ele possuía alguns talismãs, que agiam sobre a terra e lhe permitiram, assim, encontrar Sacrifício no fundo da sua cova. Remédio pede-lhe comida. Sacrifício responde: " Ah! Como posso eu, filho de Orunmilá, dar-lhe comida, quando há uma disputa em jogo? Tu não vês que assim causarás o sucesso de Ossain, estando vivo para responder ao chamado que será feito no fim dos sete dias?" Remédio insiste e promete a Sacrifício permanecer calado quando for feito o apêlo. Sacrifício, então, dá de comer a Remédio.
E chegou o final da prova. Os juízes chamam o filho de Ossain: "Remédio, Remédio, Remédio" Eles chamam em vão. Remédio não responde. "Bem! Remédio está morto", concluem eles. Chamam, em seguida, o filho de Orunmilá: "Sacrifício!" Imediatamente, escutam um forte sim. Sacrifício está são e salvo! Remédio sai, em seguida, igualmente vivo. Ossain pergunta ao filho a razão do seu silêncio, quando foi chamado o seu nome. Remédio narra o pacto feito com Sacrifício. Comida contra silêncio!
Este pacto tornou-se provérbio: "Sacrifício não deixa Remédio falar." Significando que Sacrifício é mais eficaz que Remédio. Razão pela qual, Orunmilá tem uma posição mais elevada que Ossain.                        

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