quinta-feira, 18 de agosto de 2011

LENDAS AFRO E BRASILEIRA "" EXÚ - 03 ""


Conta-se que Aluman estava desesperado com uma grande seca.

Seus campos estavam áridos, a chuva não caía.
As rãs choravam de tanta sede e os rios
estavam cobertos de folhas mortas , caídas das árvores.
Nenhum orixá invocado escutou suas queixas e gemidos.
Aluman decidiu, então, oferecer a Exu grandes pedaços de carne de bode.
Exu comeu com apetite desta excelente oferenda.
Só que Aluman havia temperado a carne com molho muito apimentado.
Exu teve sede.
Uma sede tão grande que toda a água de todas as jarras que ele tinha em casa,
e que tinham, em suas casas, os vizinhos,
não foi suficiente para matar sua sede!
Exu foi à torneira da chuva e abri-a sem pena.
A chuva caiu.
Ela caiu de dia, ela caiu de noite.
Ela caiu no dia seguinte e no dia depois, sem parar.
Os campos de Aluman tornaram-se verdes.
Todos os vizinhos de Aluman cantaram sua gloria
“Joro,jará,joro Aluman,
Dono dos dendezeiros, cujos cachos são abundantes!
Joro, jará, joro Aluman,
Dono dos campos de milho, cujas espigas são pesadas!
Joro, jará, joro, Aluman,
Dono dos campos de feijão, inhame e mandioca!
Joro, jará,joro Aluman!”
E as rãzinhas gargarejavam e coaxavam,
e o rio corria velozmente para não transbordar!
Aluman, reconhecido, ofereceu a Exu carne de bode
com o tempero no ponto certo da pimenta.
Havia chovido bastante. Mais seria desastroso!
Pois, em todas as coisas, o demais é inimigo do bom.

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