sábado, 7 de maio de 2011

LENDA DO JURUPARI, O HERÓI SOLAR

LENDA DO JURUPARI, O HERÓI SOLAR

O Jurupari é um profético-legislador, o filho de uma virgem, concebido sem contato com homem, pela virtude do sumo da cucura (pouruman Aubl) do mato,no momento em que Ceuci comia embaixo da árvore, esta fruta que era proibida as donzelas. Veio à mando do Sol, era portanto um filho do sol, que deveria reformar os costumes da terra e também encontrar a mulher perfeita com quem o Sol pudesse casar. Não a encontrou e jamais encontrará. Mas, talvez até por que não lhe desagrade a missão, continua sua busca, sem que se saiba o caminho por onde se tem arriscado nessa esforçada e inútil tentativa. Só regressará ao céu no dia em que a tiver encontrado e corresponder assim, a confiança nele depositada. Enquanto isso não acontece, ele desenvolve sua atividade em outro sentido.

Quando o Jurupari chegou à terra, as mulheres é que mandavam, elas eram as representantes do sexo forte (sistema matrilinear). O enviado do Sol não gostou do que viu. Cassou-lhes de imediato o poder (sistema patrilinear), transferindo-os para os homens, sob o fundamento que as coisas como estavam iam de encontro ás leis do Sol (deus masculino).

Para os homens se tornarem independentes delas, instituiu grandes festas em que só eles podiam participar e segredos só a eles contou. As mulheres que fraudassem tais regras deviam morrer. E, em desobediência a esta lei, morreu Ceuci, a própria mãe do legislador.

As leis de Jurupari revelam que os homens só são iniciados nos seus segredos depois de sofrerem, desde a puberdade, esmerado preparo e atingirem a idade em que se sentem plenamente fortes para resistir a qualquer sedução que lhes queira arrebatar os segredos. A morte á a punição a todo aquele que o desvenda. Castigo idêntico recaía sobre a mulher que, mesmo por acaso, soube ou viu os instrumentos sagrados.

AS DURAS LEIS:

As leis estabelecidas por Jurupari, relegaram as mulheres a uma situação de total inferioridade e subordinação aos homens. A sua simples existência, demonstra que a situação da mulher antes delas era outra.

Em 1909 foi Don Frederico Costa, bispo de Uaupés que as recolheu no seio de um movimento de libertação de mulheres, são elas:

1 - A mulher deverá conservar-se virgem até a puberdade;

2 - Nunca há de prostituir-se e será sempre fiel ao seu marido;

3 - Após o parto da mulher, deverá o marido abster-se de todo o trabalho e de toda a comida, pelo espaço de uma Lua, a fim de que a força desta Lua passe toda para a criança. (Aqui é estabelecido o "couvade", retirando os direitos de propriedade sobre os filhos das mulheres)

4- O chefe fraco será substituído pelo mais valente da tribo;

5 - O chefe poderá ter tantas mulheres quantas puder sustentar;

6 - A mulher estéril do chefe será abandonada e desprezada;

7 - O homem deverá sustentar-se com o trabalho de suas mãos;

8 - A mulher nunca poderá ver o Jurupari, afim de que assim seja castigada por alguns de seus três defeitos dominantes:

a) a incontinência;

b) a curiosidade

c) a facilidade em revelar segredos.

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